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Autor: Bernardo Veiga de Oliveira Alves

 

Aforismos para ontologia tomista



Escrito por Bernardo Veiga às 20h16
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Capítulo 1 – Existência de fato

1 - Sobre os entes contingentes, inicialmente, só podemos dizer que eles são e são contingentes,

 

2- pois a essência do ente não é e também é sob diferentes aspectos:

 

3- a essência do ente é porque é o conjunto das características essenciais daquele ente,

 

4- e não é porque não possui necessariamente a existência de fato.

 

5- Nunca se pode dizer necessariamente que os entes contingentes existem na realidade de fato.

 

7- Pode-se afirmar sobre a sua essência, quando não está relacionada com a sua existência, o que é necessário nos entes contingentes.

           

10- Todo o possível pode ser, mas nem tudo é, porque o ser de fato implica na realização do ser possível, e o ser possível não implica na realização da existência de fato.

 

11- A possibilidade dos entes é a necessidade da falsidade do seu contraditório.

 

12- A essência de um ente consiste em ser aquele ente de uma forma essencial.

 

13- Nos seres contingentes não há nada que afirme a necessidade da sua existência, pela própria compreensão de contingente.

 

14- Quando um ente contingente passa da possibilidade para a existência de fato, é necessário uma força de passagem para o seu atual estado de existência.

 

15- Ao ganhar a existência de fato, não há nada no ente que afirme na sua essência a necessidade de se manter na existência de fato.

 

16- Como a existência de fato necessita de essência, mas a essência não necessita da existência de fato, então não há nada na existência de fato que afirme a necessidade da própria existência de fato.

 

17- A existência de fato não nega a existência de fato, mas não afirma a sua própria necessidade.

 

18- A necessidade da existência já foi negada pela própria essência contingente.

 

19- A força de passagem não pode vir do próprio ente, porque senão seria da sua própria essência, o que negaria a sua contingência.



Escrito por Bernardo Veiga às 20h15
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20- A força de passagem deve vir de um ente necessário, que possibilita a existência dos entes possíveis.

 

21- Os entes possíveis estão subordinados ao ente necessário pela sua existência de fato, não inicialmente pela sua essência de possibilidade, porque precisam somente da passagem para existir.

 

22- A força de passagem que realiza a existência de fato de um ente, não realiza o despertar contínuo da essência do próprio ente, mas algo acidental da essência, a sua existência.

 

23- Não é possível que algo acidental se mantenha por si mesmo, se a sua essência não fortifica o que é acidental.

 

24- A força de passagem deve ser, então, também uma forma de sustento para o ente, senão ele não seria mais nada, afora a sua essência na potência de existir de fato.

 

25- A força de passagem e o que seria uma força de sustento (que deve também ser dada pelo ente necessário) são separações apenas temporais da existência de fato de um ente.

 

26- A força de passagem é a força no instante da mera possibilidade para o instante da existência de fato.

 

27- A força de passagem da mera possibilidade para a existência de fato não tem um objeto próprio, porque não há existência de fato do objeto.

 

28- Como a força da passagem não tem um objeto próprio, na verdade, ela cria o objeto para poder usar da força do sustento e, possivelmente, da força de passagem para a não existência.

 

29- A força de sustento é a força que mantém o ente na existência de fato, no instante após a sua existência de fato.

 

30- Não existem forças de sustento diferentes, muito menos hierarquia.

 

31- Todas as forças de sustento são iguais, porque não existe diferença na existência dos entes contingentes:

 

32- ou o ente existe de fato ou é mera possibilidade

 

33- O tempo de duração da existência dos entes não tem relação com a natureza da força de sustento.

 

34- é acidental à força de sustento a sua duração.

 

35- É necessário à força de sustento a sua ação de sustentar o ente na existência de fato.

 

36- Também é possível que o ente deixe de existir e passe da existência de fato para a mera possibilidade, já passada.

 

37- Há então, três forças distintas em pelo menos três instantes: a passagem da mera possibilidade para a existência de fato, o sustento na existência de fato, a passagem da existência de fato para a mera possibilidade.

 

38- A causa da existência de fato é propriamente do ente necessário, mas parte dessa causa é da própria essência do ente contingente.

 

39- Se o ente necessário age nos entes contingentes, age porque pode agir.

 

40- Se o ente necessário não age nos entes contingentes, não age porque pode não agir.

 

41- Se pode agir e não agir em qualquer ente de mera possibilidade, só age ou não age por razão do próprio ente contingente.

 

42- É a realização da existência de fato do próprio ente contingente que justifica a sua escolha.

 

43- E o agir do ente necessário se submete à essência do ente contingente, por escolha específica desta existência de fato.

 

44- O que não é escolhido em um instante para a existência de fato pode ser escolhido em outro instante para a existência de fato.

 

45- O que não é escolhido em nenhum instante para a existência de fato poderia ter sido escolhido em qualquer instante para a existência de fato.

 

46- O que é escolhido para a existência de fato pode deixar de existir de fato, e também pode voltar a existir e retornar à não existência assim sucessivamente.

 

47- Não há necessidade de que os objetos criados deixem de existir, pois a contingência implica pelo menos uma não existência de fato, que é a anterior a, pelo menos, primeira existência de fato.

 

48- Nenhum ente deixa de existir se não for aniquilada a força de sustento.

 

49- Um ente contingente pode existir durante uma sucessão de instantes infinitos.

 



Escrito por Bernardo Veiga às 20h15
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Capítulo 2 – Modo dos entes

1- O modo é o como o ente existe, a maneira da sua existência.

 

2- A maneira da sua existência é o conjunto da totalidade das características desse ente na sua particularidade da existência de fato.

 

3- As características dos entes são as nove categorias aristotélicas.

 

3- O modo é próprio do ente que existe de fato.

 

4- Cada essência, que existe na realidade de fato, possui o seu modo respectivo de ser.

 

5- Não há um modo nos entes de mera possibilidade,

 

6- mas a essência na mera possibilidade possui todas as possibilidades de um modo próprio.

 

7- Um ente que existe na realidade de fato não apenas existe puramente na realidade de fato, mas existe na realidade de fato sob algum modo.

 

8- O modo da existência do ente é limitada pela própria essência,

 

9- pois o modo da existência do ente é um dos atributos da essência.

 

10- É impossível que haja uma essência contingente que possa ter todas as possibilidades do modo,

 

11- porque necessariamente a essência limita o modo,

 

12- já na mera possibilidade.

 

13- A essência limita o modo desde a mera possibilidade e é limitada mais ainda na existência de fato,

 

16- se houver pelo menos duas possibilidades de modo na essência de mera possibilidade.



Escrito por Bernardo Veiga às 20h15
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Capítulo 3 – Unidade e multiplicidade dos entes

1- A unidade consiste em ser uno e não dois, nem três, nem quatro...

 

2- A multiplicidade dos entes é a quantidade maior ou igual a dois da unidade do ente.

 

3- A multiplicidade supõe a unidade

 

4- A essência na mera possibilidade é uma por si só, como o ente,

 

5- e é uma absolutamente, porque não existe a multiplicidade da mesma essência na mera possibilidade.

 

6- Na existência de fato pode existir múltiplos entes da mesma essência,

 

7- se a própria essência permitir a multiplicidade,

 

8- pois há essências que são por siso unas, além da unidade da própria essência.

 

9- A unidade, neste caso, possui dois significados: a unidade que precede a essência (o ente é uno) e a unidade de algumas essências que excluem a sua própria multiplicidade.

 

10- Todo ente é necessariamente uno, independente da sua essência.

 

11- Somente algumas essências são necessariamente unas, além da necessária unidade do ente.

 

12- Na mera possibilidade não há diferença da possibilidade de multiplicidade das essências, porque as essências só existem em unidade na mera possibilidade.

 

13- Na existência de fato a impossibilidade da multiplicidade de algumas essências ocorre por características da própria essência;

 

14- pois é propriamente impossível, da mesma maneira que uma essência não pode ser outra essência diferente dela mesma.

 

15- Para as essências que podem existir em multiplicidade na realidade de fato, cada essência possui uma independência em relação à outra da mesma essência,

 

16- como se fossem essências diferentes,

 

17- mas são a mesma.

 

18- A quantidade dos entes na realidade de fato não possui um limite necessário,

 

19- mas a existência de fato limita a possibilidade dos entes que é infinita.

 

20- Quando se diz que as possibilidades da essência dos entes é infinita, não se diz com o mesmo sentido da infinitude das possibilidades da existência dessas mesmas essências,

 

21- porque a limitação da existência é uma limitação para as existências dos outros entes.

 

22- A possibilidade infinita da existência de fato não é sobre todos os modos.

 

23- Não é propriamente a existência dos entes que limita a existência dos outros entes, mas sim o modo da existência dos entes que possibilita a impossibilidade da existência de um ou mais entes.

 

24- Se os entes são nas possibilidades dos seus modos, são na quantidade de possibilidades da existência de fato, da essência e do seu modo respectivo.



Escrito por Bernardo Veiga às 20h15
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Capítulo 4 – Tendência de ser e necessidade de ser

1- Essencialmente todo ente tende para a sua essência,

 

2- mas a tendência de ser não é a mesma coisa que a necessidade de ser.

 

3- Somente o ente necessário possui a necessidade de ser.

 

4- Todos os entes possuem a tendência de ser eles próprios.

 

5- A tendência de ser dos entes é, mesmo que os entes não existam de fato, e também é se eles existirem de fato.

 

6- A tendência de ser da mera possibilidade é diferente da tendência de ser de fato.

 

7- A tendência de ser da mera possibilidade consiste na constância da essência do ente que é ele próprio, enquanto possibilidade, e não outra essência diferente dele mesmo.

 

8- A tendência de ser da existência de fato consiste na constância da essência do ente que é ele próprio, enquanto a existência de fato, e não outra essência diferente dele mesmo.

 

9 – A força da passagem altera a tendência de ser da mera possibilidade para a tendêcnai de ser da existência de fato.

 

10 – Da mesma forma que ocorre a mudança do ente da mera possibilidade para a existência de fato, ocorre a mudança da tendência de ser da mera possibilidade para a tendência de ser da existência de fato.

 

11- Quando um ente existe de fato, a sua tendência de ser de existência de fato é sustentada pela força de sustento,

 

12 – mas este ente é contingente.

 

13 – A tendência de ser da existência de fato deixa de ser se não existir a força de sustento.

 

14- A tendência de ser da existência de fato é sustentada em último caso pela força de sustento, que sustenta a tendência de ser porque sustenta o ente na realidade de fato.



Escrito por Bernardo Veiga às 20h15
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Capítulo 5 – Mudanças substancial e acidental

 

1- Toda essência é ela mesma até o limiar da sua essência,

 

2- e isto vale para as essências de mera possibilidade e para as de existência de fato.

 

3- As mudanças acidentais precisam das suas respectivas essências.

 

4- Não existe acidente nas essências de mera possibilidade,

 

5- mas somente nas essências de existência de fato.

 

6- Não existem mudanças nas essências de mera possibilidade,

 

7- Mas somente nas essências da existência de fato.

 

8- Toda mudança implica a realidade da existência do ente que inicialmente era algo diferente do que é posterior.

 

9- O passar do ente da mera possibilidade para a existência de fato não é mudança, porque não há ente anterior.

 

10- O passar do ente da existência de fato para a mera possibilidade não é mudança, porque não há ente posterior.

 

11- Sem ente anterior ou posterior – dois entes (que podem ser um mesmo em tempos diferentes) – não há mudança.

 

12- Toda mudança é substancial (essencial) ou acidental.

 

13- Se o ente mantiver a mesma essência é a uma mudança acidental.

 

14- Se o ente muda de essência é uma mudança substancial.

 

15- Toda essência é o que ela é essencialmente mais as possibilidades dos seus acidentes e mais as possibilidades das suas mudanças substanciais.

 

16- As possibilidades dos acidentes e das mudanças substanciais existem também nas essências de mera possibilidade, mas só se realizam quando o ente existe de fato.

 

17- A força de sustento sustenta a existência do ente em sua totalidade: a essência e todas as suas possibilidades.

 

18- quando ocorre a mudança acidental, há duas causas: a mais direta do efeito: a essência do ente e a menos direta com o efeito: a força de sustento.

 

19- A força de sustento, embora mais distante da mudança acidental, é superior à natureza do ente, porque a sustenta.

 

20- O processo das mudanças substancial é bem diferente do processo de mudança acidental.

 

21- Como não há diferença na força de sustento, a força de sustento é a mesma antes e depois da mudança, mesmo que se altere a essência do ente.

 

22- Conforme a relação de submissão, os acidentes estão para a essência, assim como as essências estão para a força de sustento.

 

23- Todos os acidentes de uma essência estão para esta mesma essência.

 

24- Apenas uma única essência está para uma única força de sustento.

 

25- A tendência de ser dos entes de fato se altera nas mudanças substanciais, porque a essência é alterada.

 

26- As mudanças substanciais ocorrem somente por causas externas.

 

27- As causas externas podem mudar a substância de duas formas: ausência da necessidade essencial do ente que não é dada por uma causa externa, ou ação direta de uma causa externa no ente.

 

28- As causas externas possuem duas fontes: indiretamente dos entes contingentes pela força de sustento do ente necessário, ou diretamente do ente necessário.

 

29- Todas as mudanças são sustentadas pelo ente necessário, por causa da força de sustento,



Escrito por Bernardo Veiga às 20h14
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30- Mas não é necessariamente plena de todas as mudanças por causa da particularidade de algumas essências.

 

31- Algumas essências possuem autonomia

 

32- Esta autonomia também está submetida à força de sustento,

 

33- Mas a autonomia é autônoma pela sua própria essência.

 

34- A ação dos seres autônomos pode ser conforme ou não com a sua própria essência.

 

35- Se for conforme à sua natureza, é conforme à escolha do ente necessário.

 

36- Se não for conforme à sua natureza, não é conforme à escolha do ente necessário.

 

37- O ente necessário pode negar a existência do ente contingente, desfazendo a força de sustento, com a força de passagem para a mera possibilidade, independente do agir conforme a natureza dos entes autônomos.

 

38- Toda existência de fato está submetida ao ente necessário, mas de forma diferente conforme a autonomia ou não.

 

39- Os entes não autônomos são plenamente submetidos ao ente necessário.

 

40- Os entes contingentes autônomos são submetidos ao ente necessário, conforme a identidade da sua autonomia.

 

41- São totalmente submetidos ao ente necessário se agirem totalmente conforme às suas naturezas respectivas.

 

42- São parcialmente submetidos ao ente necessário se agirem parcialmente conforme às suas naturezas respectivas.

 

43- São totalmente não submetidos ao ente necessário se agirem totalmente não conforme às suas naturezas respectivas.

 

44- Eles estão submetidos ao ente necessário de duas formas: em parte e mais profundamente.

 

45- Está submetido em parte pela natureza da escolha do ente contingente pelo próprio ente necessário.

 

46- Está de forma mais profunda submetido ao ente necessário por causa da possibilidade da realização ou não da existência de fato.

 

47- Se o ente necessário não escolher algum ente contingente autônomo, toda a existência de fato estará submetida plenamente ao ente necessário.

 

48- O ente necessário possui pleno domínio dos entes contingentes não autônomos;

 

49- Quando os entes contingentes não autônomos agem, o seu agir é guiado pelo próprio ente necessário pela falta de autonomia dos entes contingente não autônomos e pela própria essência desses entes.

 

50- As causas externas são de duas formas: provindas direta ou indiretamente do ente necessário.

 

51- Só existe um tipo de manifestação diretamente do ente necessário.

 

52- Existem três tipos de manifestação provinda indiretamente do ente necessário.

 

53- Estes são os três tipos: provinda do ente não autônomo, provinda do ente contingente autônomo conforme a sua própria natureza ou não conforme a sua própria natureza.

 

54- As essências possuem uma potencialidade para algumas essências específicas, conforme a natureza da própria essência.

 

55- Não há essência de ente contingente que possua todas as possibilidades das infinitas possibilidades das essências.

 

56- Quando ocorre a mudança substancial, a essência final é realmente uma essência,

 

57- da mesma forma que se ela tivesse passado a existir naquele momento, através da força de passagem da mera possibilidade para a existência de fato.

 

58- A essência final da mudança substancial possui, como qualquer essência, todas as características da sua essência,

 

59- inclusive as próprias características de possibilidades desta essência.

 

60- As possibilidades da essência final da mudança substancial não necessariamente permitem o retorno para a essência inicial,

 

61- pois as mudanças substanciais não são necessariamente reversíveis,

 

62- porque as possibilidades da essência final podem não conter as possibilidades de uma mudança substancial para a essência inicial da primeira mudança.

 

63- A reversibilidade essencial é a possibilidade de uma essência mudar para outra essência e poder retornar para a essência de origem.

 

64- Se não é possível a reversibilidade na primeira ordem – da essência final da primeira mudança – não será possível na segunda, na terceira, nem na enésima (para n que tende ao infinito).

 



Escrito por Bernardo Veiga às 20h14
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Capítulo 6 – Singularidade dos entes da mesma essência

 

1- O modo determina todos os aspectos da existência de fato do ente, inclusive a sua própria singularidade,

 

2- pois não existe na realidade entes sem singularidade.

 

3- Na existência de fato só existe ente singular.

 

4- Os entes que são essencialmente unos são na mera possibilidade singulares;

 

5- e estes entes, quando existem na realidade de fato, também são singulares.

 

6- E estes entes possuem um modo, como os outros,

 

7- mas esse modo pode ser só um,

 

8- ou pode ser múltipla,

 

9- pois a necessidade como singular na existência de fato não implica necessariamente a unidade da possibilidade do modo.

 

10- Por mais que a essência desse ente seja propriamente conforme à singularidade da manifestação da sua essência, pode haver muitos modos de manifestação desse mesmo indivíduo,

 

11- pois também está contido no modo as categorias aristotélicas.

 

12- Para os entes que não esgotam a sua própria essência a possibilidade da singularidade na existência de fato e infinita.

 

13- Apenas é possível, por determinação do modo, a unidade ou a possibilidade infinita da singularidade do ente na existência de fato.

 

14- A própria singularidade é fruto de uma escolha, como a própria essência do ente.

 

15- O ente necessário, ao escolher uma essência na mera possibilidade para existir na realidade de fato, escolhe necessariamente também o ente singular dessa essência,

 

16- pois é a mesma escolha, uma vez que o ente necessário só escolhe a singularidade para existir por causa da essência que se expressa deste modo singular e não de outro.

 

17- Não pode existir dois entes perfeitamente iguais na realidade de fato,

 

18- porque toda realização identicamente dupla sob algum modo é contraditória com ela mesma,

 

19- por isso todo ente da realidade de fato é único.

 

20- É contraditório porque todos os acidentes aristotélicos são contraditórios se forem da mesma maneira para entes de mesma essência.



Escrito por Bernardo Veiga às 20h13
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Capítulo 7 – Escolha

1- A escolha do ente necessário supõe a possibilidade da escolha, vinda deste mesmo ente.

 

2- Toda escolha supõe um objeto de escolha que pode ou não ser escolhido.

 

3- Também supõe o reconhecimento do objeto como algo escolhível.

 

4- O próprio objeto deve ser escolhível.

 

5- O ato de reconhecer supõe a possibilidade do reconhecimento.

 

6- Este reconhecimento supõe uma composição do objeto.

 

7- A compreensão do objeto mais a escolha do objeto (e não outra) são partes essenciais para qualquer escolha.

 

8- A escolha do ente necessário, para a existência dos entes contingentes, é única,

 

9- Porque é a única escolha que concede a existência.

 

10- A escolha é um gênero

 

11- e a escolha do ente necessário para a existência dos entes contingente é somente uma espécie,

 

12- porque podem existir numerosas escolhas conforme as possibilidades das outras essências de escolha.

 

13- Toda essência, na mera possibilidade possui a potencialidade de ser escolhida pelo ente necessário para existir na realidade de fato.

 

14- A natureza da potencialidade da escolha do objeto será chamada de vontade

 

15- A natureza da potencialidade do reconhecimento do objeto será chamada de inteligência.

 

16- É impossível que haja inteligência sem vontade

 

17- e é impossível que haja vontade sem inteligência,

 

18- pois toda inclinação para um objeto supõe o reconhecimento do objeto

 

19- e todo reconhecimento do objeto supõe uma inclinação para o objeto.

 

20- A escolha usa ao mesmo tempo da inteligência e vontade.

 

21- Qualquer inteligência está aberta à compreensão de qualquer essência,

 

22- pois toda essência intrinsecamente possui a possibilidade de ser compreendida plenamente.

 

23- Mas a compreensão não é, como qualquer ato, apenas a possibilidade.

 

24- Há uma hierarquia de inteligência conforme o limite da concretização da possibilidade de compreensão da essência.

 

25- A concretização da possibilidade de compreensão está submetida à limitação da própria essência e ao exercício da vontade.

 

26- A compreensão, pois, é a relação da possibilidade da compreensão do ente (que sempre é total) com a possibilidade da concretização da possibilidade de compreensão da inteligência.



Escrito por Bernardo Veiga às 20h13
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Capítulo 8 – Vontade e inteligência dos entes contingentes

 

1- A escolha dos entes contingentes é diferente da do ente necessário.

 

2- Nenhum ente contingente pode escolher uma essência de mera possibilidade para existir na realidade de fato, mas somente o ente necessário.

 

3- A escolha dos entes contingentes é uma inclinação conforme a sua vontade e inteligência.

 

4- A inteligência dos entes contingentes é simplesmente a potência da compreensão das essências.

 

5- A inteligência dos entes contingentes só pode se inclinar, conforme a sua vontade, às essências dos entes de existência de fato.

 

6- As essências na mera possibilidade não podem ser captadas pela inteligência dos entes contingentes.



Escrito por Bernardo Veiga às 20h13
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Capítulo 9 – Reconhecimento da existência

 

1- O reconhecimento da existência dos entes não ocorre sem a própria existência dos entes e sem uma inteligência e vontade que pode perceber a existência de tal ente.

 

2- Se a inteligência reconhece o objeto como objeto inteligível, ele existe pelo menos como objeto inteligível,

 

3- embora possa existir na realidade de fato.

 

4- Os entes, que são na existência de fato, são entes existentes, mesmo que não tenha reconhecimento da existência na inteligência de fato.

 

5- Há três formas de existência dos entes: a existência como mera possibilidade, como existência de fato e como objeto de alguma inteligência.

 

6- A existência como objeto da inteligência não implica necessariamente a existência do ente na realidade de fato,

 

7- mas a existência na realidade de fato implica necessariamente a possibilidade de ser objeto da inteligência.

 

8- Basta a existência de um ente na existência de fato para que um número infinito de inteligência o possa tomar como seu objeto.

 

9- Há um gênero chamado objeto da inteligência:

 

10- As espécies deste gênero são: as essências que vieram da existência de fato e estão em qualquer inteligência (de um ente de existência real contingente ou do ente necessário) e as essências da mera possibilidade que somente podem estar na inteligência do ente necessário.

 

11- A inteligência do ente necessário pode tomar os entes contingentes da existência de fato como objeto da sua inteligência.

 

12- Todo objeto da inteligência é tomado na sua universalidade.

 

13- Os objetos da inteligência são as essências na mera possibilidade ou os entes contingentes.

 

14- As essências na mera possibilidade, além de serrem tomadas universalmente por serem objetos da inteligência, são também em si mesmas universais.

 

15- Os entes contingentes que não são, na existência de fato, universais, são tomados como universais na mente.

 

16- Há apenas uma universalidade para cada essência na inteligência, porque a multiplicidade distinta da universalidade supõe a mesma quantidade de essências distintas.

 

17- Os entes contingentes, que são universais, são tomados na sua mesma universalidade pela inteligência,

 

18- Uma vez que a sua essência é a sua própria universalidade,

 

19- pois para estas essências, a única distinção é a mesma distinção da realidade dos entes: mera possibilidade, existência de fato e objeto da inteligência.



Escrito por Bernardo Veiga às 20h13
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Capítulo 10 – O ente necessário

 

1- Somente os objetos da mente do ente necessário são conhecidos perfeita e totalmente (conforme o limite da essência deste objeto) por causa da perfeição da mente do ente necessário.

 

2- Todos os objetos (de mera possibilidade, de existência de fato e objetos de todas as inteligências) são objetos do ente necessário.

 

3- O ente necessário pode ser objeto de qualquer ente,

 

4- inclusive de si mesmo.

 

5- O conhecimento mais perfeito de todos é o conhecimento do ente necessário do próprio ente necessário,

 

6- por causa da perfeição do objeto e da inteligência.

 

7- O ente necessário pode conhecer os entes de duas maneiras: a partir dos próprios entes e a partir de si mesmo como causa desses entes.

 

8- A perfeição do ente necessário implica o conhecimento de maneira mais perfeita,

 

9- portanto o ente necessário conhece os entes por opção própria, através de si mesmo,

 

10- pois o total e perfeito conhecimento da causa implica o total e perfeito conhecimento de todos os efeitos possíveis.

 

11- O conhecimento de si do ente necessário é, como ente enquanto causa de todos os entes, o conhecimento total de tudo o que é e pode ser.

 

12- A escolha do ente necessário provém da natureza da própria coisa sob um modo.

 

13- A razão da existência dos entes contingentes é a medida da escolha do ente necessário.

 

14- A razão implica um porquê.

 

15- E este porque implica a finalidade da escolha do ente necessário.

 

16- A razão de ser do ente contingente é a finalidade dada pelo ente necessário, como foi visto na liberdade dos entes voluntários.



Escrito por Bernardo Veiga às 20h12
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