Autor: Bernardo Veiga de Oliveira Alves
Aforismos para ontologia tomista
Escrito por Bernardo Veiga às 20h16
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Capítulo 1 – Existência de fato
1 - Sobre os entes contingentes, inicialmente, só podemos dizer que eles são e são contingentes,
2- pois a essência do ente não é e também é sob diferentes aspectos:
3- a essência do ente é porque é o conjunto das características essenciais daquele ente,
4- e não é porque não possui necessariamente a existência de fato.
5- Nunca se pode dizer necessariamente que os entes contingentes existem na realidade de fato.
7- Pode-se afirmar sobre a sua essência, quando não está relacionada com a sua existência, o que é necessário nos entes contingentes.
10- Todo o possível pode ser, mas nem tudo é, porque o ser de fato implica na realização do ser possível, e o ser possível não implica na realização da existência de fato.
11- A possibilidade dos entes é a necessidade da falsidade do seu contraditório.
12- A essência de um ente consiste em ser aquele ente de uma forma essencial.
13- Nos seres contingentes não há nada que afirme a necessidade da sua existência, pela própria compreensão de contingente.
14- Quando um ente contingente passa da possibilidade para a existência de fato, é necessário uma força de passagem para o seu atual estado de existência.
15- Ao ganhar a existência de fato, não há nada no ente que afirme na sua essência a necessidade de se manter na existência de fato.
16- Como a existência de fato necessita de essência, mas a essência não necessita da existência de fato, então não há nada na existência de fato que afirme a necessidade da própria existência de fato.
17- A existência de fato não nega a existência de fato, mas não afirma a sua própria necessidade.
18- A necessidade da existência já foi negada pela própria essência contingente.
19- A força de passagem não pode vir do próprio ente, porque senão seria da sua própria essência, o que negaria a sua contingência.
Escrito por Bernardo Veiga às 20h15
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20- A força de passagem deve vir de um ente necessário, que possibilita a existência dos entes possíveis.
21- Os entes possíveis estão subordinados ao ente necessário pela sua existência de fato, não inicialmente pela sua essência de possibilidade, porque precisam somente da passagem para existir.
22- A força de passagem que realiza a existência de fato de um ente, não realiza o despertar contínuo da essência do próprio ente, mas algo acidental da essência, a sua existência.
23- Não é possível que algo acidental se mantenha por si mesmo, se a sua essência não fortifica o que é acidental.
24- A força de passagem deve ser, então, também uma forma de sustento para o ente, senão ele não seria mais nada, afora a sua essência na potência de existir de fato.
25- A força de passagem e o que seria uma força de sustento (que deve também ser dada pelo ente necessário) são separações apenas temporais da existência de fato de um ente.
26- A força de passagem é a força no instante da mera possibilidade para o instante da existência de fato.
27- A força de passagem da mera possibilidade para a existência de fato não tem um objeto próprio, porque não há existência de fato do objeto.
28- Como a força da passagem não tem um objeto próprio, na verdade, ela cria o objeto para poder usar da força do sustento e, possivelmente, da força de passagem para a não existência.
29- A força de sustento é a força que mantém o ente na existência de fato, no instante após a sua existência de fato.
30- Não existem forças de sustento diferentes, muito menos hierarquia.
31- Todas as forças de sustento são iguais, porque não existe diferença na existência dos entes contingentes:
32- ou o ente existe de fato ou é mera possibilidade
33- O tempo de duração da existência dos entes não tem relação com a natureza da força de sustento.
34- é acidental à força de sustento a sua duração.
35- É necessário à força de sustento a sua ação de sustentar o ente na existência de fato.
36- Também é possível que o ente deixe de existir e passe da existência de fato para a mera possibilidade, já passada.
37- Há então, três forças distintas em pelo menos três instantes: a passagem da mera possibilidade para a existência de fato, o sustento na existência de fato, a passagem da existência de fato para a mera possibilidade.
38- A causa da existência de fato é propriamente do ente necessário, mas parte dessa causa é da própria essência do ente contingente.
39- Se o ente necessário age nos entes contingentes, age porque pode agir.
40- Se o ente necessário não age nos entes contingentes, não age porque pode não agir.
41- Se pode agir e não agir em qualquer ente de mera possibilidade, só age ou não age por razão do próprio ente contingente.
42- É a realização da existência de fato do próprio ente contingente que justifica a sua escolha.
43- E o agir do ente necessário se submete à essência do ente contingente, por escolha específica desta existência de fato.
44- O que não é escolhido em um instante para a existência de fato pode ser escolhido em outro instante para a existência de fato.
45- O que não é escolhido em nenhum instante para a existência de fato poderia ter sido escolhido em qualquer instante para a existência de fato.
46- O que é escolhido para a existência de fato pode deixar de existir de fato, e também pode voltar a existir e retornar à não existência assim sucessivamente.
47- Não há necessidade de que os objetos criados deixem de existir, pois a contingência implica pelo menos uma não existência de fato, que é a anterior a, pelo menos, primeira existência de fato.
48- Nenhum ente deixa de existir se não for aniquilada a força de sustento.
49- Um ente contingente pode existir durante uma sucessão de instantes infinitos.
Escrito por Bernardo Veiga às 20h15
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Capítulo 2 – Modo dos entes
1- O modo é o como o ente existe, a maneira da sua existência.
2- A maneira da sua existência é o conjunto da totalidade das características desse ente na sua particularidade da existência de fato.
3- As características dos entes são as nove categorias aristotélicas.
3- O modo é próprio do ente que existe de fato.
4- Cada essência, que existe na realidade de fato, possui o seu modo respectivo de ser.
5- Não há um modo nos entes de mera possibilidade,
6- mas a essência na mera possibilidade possui todas as possibilidades de um modo próprio.
7- Um ente que existe na realidade de fato não apenas existe puramente na realidade de fato, mas existe na realidade de fato sob algum modo.
8- O modo da existência do ente é limitada pela própria essência,
9- pois o modo da existência do ente é um dos atributos da essência.
10- É impossível que haja uma essência contingente que possa ter todas as possibilidades do modo,
11- porque necessariamente a essência limita o modo,
12- já na mera possibilidade.
13- A essência limita o modo desde a mera possibilidade e é limitada mais ainda na existência de fato,
16- se houver pelo menos duas possibilidades de modo na essência de mera possibilidade.
Escrito por Bernardo Veiga às 20h15
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Capítulo 3 – Unidade e multiplicidade dos entes
1- A unidade consiste em ser uno e não dois, nem três, nem quatro...
2- A multiplicidade dos entes é a quantidade maior ou igual a dois da unidade do ente.
3- A multiplicidade supõe a unidade
4- A essência na mera possibilidade é uma por si só, como o ente,
5- e é uma absolutamente, porque não existe a multiplicidade da mesma essência na mera possibilidade.
6- Na existência de fato pode existir múltiplos entes da mesma essência,
7- se a própria essência permitir a multiplicidade,
8- pois há essências que são por siso unas, além da unidade da própria essência.
9- A unidade, neste caso, possui dois significados: a unidade que precede a essência (o ente é uno) e a unidade de algumas essências que excluem a sua própria multiplicidade.
10- Todo ente é necessariamente uno, independente da sua essência.
11- Somente algumas essências são necessariamente unas, além da necessária unidade do ente.
12- Na mera possibilidade não há diferença da possibilidade de multiplicidade das essências, porque as essências só existem em unidade na mera possibilidade.
13- Na existência de fato a impossibilidade da multiplicidade de algumas essências ocorre por características da própria essência;
14- pois é propriamente impossível, da mesma maneira que uma essência não pode ser outra essência diferente dela mesma.
15- Para as essências que podem existir em multiplicidade na realidade de fato, cada essência possui uma independência em relação à outra da mesma essência,
16- como se fossem essências diferentes,
17- mas são a mesma.
18- A quantidade dos entes na realidade de fato não possui um limite necessário,
19- mas a existência de fato limita a possibilidade dos entes que é infinita.
20- Quando se diz que as possibilidades da essência dos entes é infinita, não se diz com o mesmo sentido da infinitude das possibilidades da existência dessas mesmas essências,
21- porque a limitação da existência é uma limitação para as existências dos outros entes.
22- A possibilidade infinita da existência de fato não é sobre todos os modos.
23- Não é propriamente a existência dos entes que limita a existência dos outros entes, mas sim o modo da existência dos entes que possibilita a impossibilidade da existência de um ou mais entes.
24- Se os entes são nas possibilidades dos seus modos, são na quantidade de possibilidades da existência de fato, da essência e do seu modo respectivo.
Escrito por Bernardo Veiga às 20h15
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Capítulo 4 – Tendência de ser e necessidade de ser
1- Essencialmente todo ente tende para a sua essência,
2- mas a tendência de ser não é a mesma coisa que a necessidade de ser.
3- Somente o ente necessário possui a necessidade de ser.
4- Todos os entes possuem a tendência de ser eles próprios.
5- A tendência de ser dos entes é, mesmo que os entes não existam de fato, e também é se eles existirem de fato.
6- A tendência de ser da mera possibilidade é diferente da tendência de ser de fato.
7- A tendência de ser da mera possibilidade consiste na constância da essência do ente que é ele próprio, enquanto possibilidade, e não outra essência diferente dele mesmo.
8- A tendência de ser da existência de fato consiste na constância da essência do ente que é ele próprio, enquanto a existência de fato, e não outra essência diferente dele mesmo.
9 – A força da passagem altera a tendência de ser da mera possibilidade para a tendêcnai de ser da existência de fato.
10 – Da mesma forma que ocorre a mudança do ente da mera possibilidade para a existência de fato, ocorre a mudança da tendência de ser da mera possibilidade para a tendência de ser da existência de fato.
11- Quando um ente existe de fato, a sua tendência de ser de existência de fato é sustentada pela força de sustento,
12 – mas este ente é contingente.
13 – A tendência de ser da existência de fato deixa de ser se não existir a força de sustento.
14- A tendência de ser da existência de fato é sustentada em último caso pela força de sustento, que sustenta a tendência de ser porque sustenta o ente na realidade de fato.
Escrito por Bernardo Veiga às 20h15
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Capítulo 5 – Mudanças substancial e acidental
1- Toda essência é ela mesma até o limiar da sua essência,
2- e isto vale para as essências de mera possibilidade e para as de existência de fato.
3- As mudanças acidentais precisam das suas respectivas essências.
4- Não existe acidente nas essências de mera possibilidade,
5- mas somente nas essências de existência de fato.
6- Não existem mudanças nas essências de mera possibilidade,
7- Mas somente nas essências da existência de fato.
8- Toda mudança implica a realidade da existência do ente que inicialmente era algo diferente do que é posterior.
9- O passar do ente da mera possibilidade para a existência de fato não é mudança, porque não há ente anterior.
10- O passar do ente da existência de fato para a mera possibilidade não é mudança, porque não há ente posterior.
11- Sem ente anterior ou posterior – dois entes (que podem ser um mesmo em tempos diferentes) – não há mudança.
12- Toda mudança é substancial (essencial) ou acidental.
13- Se o ente mantiver a mesma essência é a uma mudança acidental.
14- Se o ente muda de essência é uma mudança substancial.
15- Toda essência é o que ela é essencialmente mais as possibilidades dos seus acidentes e mais as possibilidades das suas mudanças substanciais.
16- As possibilidades dos acidentes e das mudanças substanciais existem também nas essências de mera possibilidade, mas só se realizam quando o ente existe de fato.
17- A força de sustento sustenta a existência do ente em sua totalidade: a essência e todas as suas possibilidades.
18- quando ocorre a mudança acidental, há duas causas: a mais direta do efeito: a essência do ente e a menos direta com o efeito: a força de sustento.
19- A força de sustento, embora mais distante da mudança acidental, é superior à natureza do ente, porque a sustenta.
20- O processo das mudanças substancial é bem diferente do processo de mudança acidental.
21- Como não há diferença na força de sustento, a força de sustento é a mesma antes e depois da mudança, mesmo que se altere a essência do ente.
22- Conforme a relação de submissão, os acidentes estão para a essência, assim como as essências estão para a força de sustento.
23- Todos os acidentes de uma essência estão para esta mesma essência.
24- Apenas uma única essência está para uma única força de sustento.
25- A tendência de ser dos entes de fato se altera nas mudanças substanciais, porque a essência é alterada.
26- As mudanças substanciais ocorrem somente por causas externas.
27- As causas externas podem mudar a substância de duas formas: ausência da necessidade essencial do ente que não é dada por uma causa externa, ou ação direta de uma causa externa no ente.
28- As causas externas possuem duas fontes: indiretamente dos entes contingentes pela força de sustento do ente necessário, ou diretamente do ente necessário.
29- Todas as mudanças são sustentadas pelo ente necessário, por causa da força de sustento,
Escrito por Bernardo Veiga às 20h14
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30- Mas não é necessariamente plena de todas as mudanças por causa da particularidade de algumas essências.
31- Algumas essências possuem autonomia
32- Esta autonomia também está submetida à força de sustento,
33- Mas a autonomia é autônoma pela sua própria essência.
34- A ação dos seres autônomos pode ser conforme ou não com a sua própria essência.
35- Se for conforme à sua natureza, é conforme à escolha do ente necessário.
36- Se não for conforme à sua natureza, não é conforme à escolha do ente necessário.
37- O ente necessário pode negar a existência do ente contingente, desfazendo a força de sustento, com a força de passagem para a mera possibilidade, independente do agir conforme a natureza dos entes autônomos.
38- Toda existência de fato está submetida ao ente necessário, mas de forma diferente conforme a autonomia ou não.
39- Os entes não autônomos são plenamente submetidos ao ente necessário.
40- Os entes contingentes autônomos são submetidos ao ente necessário, conforme a identidade da sua autonomia.
41- São totalmente submetidos ao ente necessário se agirem totalmente conforme às suas naturezas respectivas.
42- São parcialmente submetidos ao ente necessário se agirem parcialmente conforme às suas naturezas respectivas.
43- São totalmente não submetidos ao ente necessário se agirem totalmente não conforme às suas naturezas respectivas.
44- Eles estão submetidos ao ente necessário de duas formas: em parte e mais profundamente.
45- Está submetido em parte pela natureza da escolha do ente contingente pelo próprio ente necessário.
46- Está de forma mais profunda submetido ao ente necessário por causa da possibilidade da realização ou não da existência de fato.
47- Se o ente necessário não escolher algum ente contingente autônomo, toda a existência de fato estará submetida plenamente ao ente necessário.
48- O ente necessário possui pleno domínio dos entes contingentes não autônomos;
49- Quando os entes contingentes não autônomos agem, o seu agir é guiado pelo próprio ente necessário pela falta de autonomia dos entes contingente não autônomos e pela própria essência desses entes.
50- As causas externas são de duas formas: provindas direta ou indiretamente do ente necessário.
51- Só existe um tipo de manifestação diretamente do ente necessário.
52- Existem três tipos de manifestação provinda indiretamente do ente necessário.
53- Estes são os três tipos: provinda do ente não autônomo, provinda do ente contingente autônomo conforme a sua própria natureza ou não conforme a sua própria natureza.
54- As essências possuem uma potencialidade para algumas essências específicas, conforme a natureza da própria essência.
55- Não há essência de ente contingente que possua todas as possibilidades das infinitas possibilidades das essências.
56- Quando ocorre a mudança substancial, a essência final é realmente uma essência,
57- da mesma forma que se ela tivesse passado a existir naquele momento, através da força de passagem da mera possibilidade para a existência de fato.
58- A essência final da mudança substancial possui, como qualquer essência, todas as características da sua essência,
59- inclusive as próprias características de possibilidades desta essência.
60- As possibilidades da essência final da mudança substancial não necessariamente permitem o retorno para a essência inicial,
61- pois as mudanças substanciais não são necessariamente reversíveis,
62- porque as possibilidades da essência final podem não conter as possibilidades de uma mudança substancial para a essência inicial da primeira mudança.
63- A reversibilidade essencial é a possibilidade de uma essência mudar para outra essência e poder retornar para a essência de origem.
64- Se não é possível a reversibilidade na primeira ordem – da essência final da primeira mudança – não será possível na segunda, na terceira, nem na enésima (para n que tende ao infinito).
Escrito por Bernardo Veiga às 20h14
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Capítulo 6 – Singularidade dos entes da mesma essência
1- O modo determina todos os aspectos da existência de fato do ente, inclusive a sua própria singularidade,
2- pois não existe na realidade entes sem singularidade.
3- Na existência de fato só existe ente singular.
4- Os entes que são essencialmente unos são na mera possibilidade singulares;
5- e estes entes, quando existem na realidade de fato, também são singulares.
6- E estes entes possuem um modo, como os outros,
7- mas esse modo pode ser só um,
8- ou pode ser múltipla,
9- pois a necessidade como singular na existência de fato não implica necessariamente a unidade da possibilidade do modo.
10- Por mais que a essência desse ente seja propriamente conforme à singularidade da manifestação da sua essência, pode haver muitos modos de manifestação desse mesmo indivíduo,
11- pois também está contido no modo as categorias aristotélicas.
12- Para os entes que não esgotam a sua própria essência a possibilidade da singularidade na existência de fato e infinita.
13- Apenas é possível, por determinação do modo, a unidade ou a possibilidade infinita da singularidade do ente na existência de fato.
14- A própria singularidade é fruto de uma escolha, como a própria essência do ente.
15- O ente necessário, ao escolher uma essência na mera possibilidade para existir na realidade de fato, escolhe necessariamente também o ente singular dessa essência,
16- pois é a mesma escolha, uma vez que o ente necessário só escolhe a singularidade para existir por causa da essência que se expressa deste modo singular e não de outro.
17- Não pode existir dois entes perfeitamente iguais na realidade de fato,
18- porque toda realização identicamente dupla sob algum modo é contraditória com ela mesma,
19- por isso todo ente da realidade de fato é único.
20- É contraditório porque todos os acidentes aristotélicos são contraditórios se forem da mesma maneira para entes de mesma essência.
Escrito por Bernardo Veiga às 20h13
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Capítulo 7 – Escolha
1- A escolha do ente necessário supõe a possibilidade da escolha, vinda deste mesmo ente.
2- Toda escolha supõe um objeto de escolha que pode ou não ser escolhido.
3- Também supõe o reconhecimento do objeto como algo escolhível.
4- O próprio objeto deve ser escolhível.
5- O ato de reconhecer supõe a possibilidade do reconhecimento.
6- Este reconhecimento supõe uma composição do objeto.
7- A compreensão do objeto mais a escolha do objeto (e não outra) são partes essenciais para qualquer escolha.
8- A escolha do ente necessário, para a existência dos entes contingentes, é única,
9- Porque é a única escolha que concede a existência.
10- A escolha é um gênero
11- e a escolha do ente necessário para a existência dos entes contingente é somente uma espécie,
12- porque podem existir numerosas escolhas conforme as possibilidades das outras essências de escolha.
13- Toda essência, na mera possibilidade possui a potencialidade de ser escolhida pelo ente necessário para existir na realidade de fato.
14- A natureza da potencialidade da escolha do objeto será chamada de vontade
15- A natureza da potencialidade do reconhecimento do objeto será chamada de inteligência.
16- É impossível que haja inteligência sem vontade
17- e é impossível que haja vontade sem inteligência,
18- pois toda inclinação para um objeto supõe o reconhecimento do objeto
19- e todo reconhecimento do objeto supõe uma inclinação para o objeto.
20- A escolha usa ao mesmo tempo da inteligência e vontade.
21- Qualquer inteligência está aberta à compreensão de qualquer essência,
22- pois toda essência intrinsecamente possui a possibilidade de ser compreendida plenamente.
23- Mas a compreensão não é, como qualquer ato, apenas a possibilidade.
24- Há uma hierarquia de inteligência conforme o limite da concretização da possibilidade de compreensão da essência.
25- A concretização da possibilidade de compreensão está submetida à limitação da própria essência e ao exercício da vontade.
26- A compreensão, pois, é a relação da possibilidade da compreensão do ente (que sempre é total) com a possibilidade da concretização da possibilidade de compreensão da inteligência.
Escrito por Bernardo Veiga às 20h13
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Capítulo 8 – Vontade e inteligência dos entes contingentes
1- A escolha dos entes contingentes é diferente da do ente necessário.
2- Nenhum ente contingente pode escolher uma essência de mera possibilidade para existir na realidade de fato, mas somente o ente necessário.
3- A escolha dos entes contingentes é uma inclinação conforme a sua vontade e inteligência.
4- A inteligência dos entes contingentes é simplesmente a potência da compreensão das essências.
5- A inteligência dos entes contingentes só pode se inclinar, conforme a sua vontade, às essências dos entes de existência de fato.
6- As essências na mera possibilidade não podem ser captadas pela inteligência dos entes contingentes.
Escrito por Bernardo Veiga às 20h13
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Capítulo 9 – Reconhecimento da existência
1- O reconhecimento da existência dos entes não ocorre sem a própria existência dos entes e sem uma inteligência e vontade que pode perceber a existência de tal ente.
2- Se a inteligência reconhece o objeto como objeto inteligível, ele existe pelo menos como objeto inteligível,
3- embora possa existir na realidade de fato.
4- Os entes, que são na existência de fato, são entes existentes, mesmo que não tenha reconhecimento da existência na inteligência de fato.
5- Há três formas de existência dos entes: a existência como mera possibilidade, como existência de fato e como objeto de alguma inteligência.
6- A existência como objeto da inteligência não implica necessariamente a existência do ente na realidade de fato,
7- mas a existência na realidade de fato implica necessariamente a possibilidade de ser objeto da inteligência.
8- Basta a existência de um ente na existência de fato para que um número infinito de inteligência o possa tomar como seu objeto.
9- Há um gênero chamado objeto da inteligência:
10- As espécies deste gênero são: as essências que vieram da existência de fato e estão em qualquer inteligência (de um ente de existência real contingente ou do ente necessário) e as essências da mera possibilidade que somente podem estar na inteligência do ente necessário.
11- A inteligência do ente necessário pode tomar os entes contingentes da existência de fato como objeto da sua inteligência.
12- Todo objeto da inteligência é tomado na sua universalidade.
13- Os objetos da inteligência são as essências na mera possibilidade ou os entes contingentes.
14- As essências na mera possibilidade, além de serrem tomadas universalmente por serem objetos da inteligência, são também em si mesmas universais.
15- Os entes contingentes que não são, na existência de fato, universais, são tomados como universais na mente.
16- Há apenas uma universalidade para cada essência na inteligência, porque a multiplicidade distinta da universalidade supõe a mesma quantidade de essências distintas.
17- Os entes contingentes, que são universais, são tomados na sua mesma universalidade pela inteligência,
18- Uma vez que a sua essência é a sua própria universalidade,
19- pois para estas essências, a única distinção é a mesma distinção da realidade dos entes: mera possibilidade, existência de fato e objeto da inteligência.
Escrito por Bernardo Veiga às 20h13
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Capítulo 10 – O ente necessário
1- Somente os objetos da mente do ente necessário são conhecidos perfeita e totalmente (conforme o limite da essência deste objeto) por causa da perfeição da mente do ente necessário.
2- Todos os objetos (de mera possibilidade, de existência de fato e objetos de todas as inteligências) são objetos do ente necessário.
3- O ente necessário pode ser objeto de qualquer ente,
4- inclusive de si mesmo.
5- O conhecimento mais perfeito de todos é o conhecimento do ente necessário do próprio ente necessário,
6- por causa da perfeição do objeto e da inteligência.
7- O ente necessário pode conhecer os entes de duas maneiras: a partir dos próprios entes e a partir de si mesmo como causa desses entes.
8- A perfeição do ente necessário implica o conhecimento de maneira mais perfeita,
9- portanto o ente necessário conhece os entes por opção própria, através de si mesmo,
10- pois o total e perfeito conhecimento da causa implica o total e perfeito conhecimento de todos os efeitos possíveis.
11- O conhecimento de si do ente necessário é, como ente enquanto causa de todos os entes, o conhecimento total de tudo o que é e pode ser.
12- A escolha do ente necessário provém da natureza da própria coisa sob um modo.
13- A razão da existência dos entes contingentes é a medida da escolha do ente necessário.
14- A razão implica um porquê.
15- E este porque implica a finalidade da escolha do ente necessário.
16- A razão de ser do ente contingente é a finalidade dada pelo ente necessário, como foi visto na liberdade dos entes voluntários.
Escrito por Bernardo Veiga às 20h12
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