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...continuação do artigo "A rebeldia oculta"...

          Se a natureza diz não o espírito consente. Porque a melhor forma de considerar a perfeição do homem é conhecer a sua própria podridão. E quem melhor compreende do que quem compara o homem com Deus? O homem só pode dizer o que ele é se conhecer o divino. Desta forma, a antropologia muda de sentido e ganha uma visão teológica, porque a melhor maneira de compreender que o homem é nada é reconhecendo que Deus é tudo. Isso faz com que uma das três opções se perca, porque o excesso do desejo de si facilmente se aniquila em Deus. Contudo, as duas outras opções, isto é, o excesso pelo desprezo de si e a virtude do grego, encontram uma solução na união dos melhores aspectos. Se a excelência divina me leva para o aniquilamento, a sua perfeição me atrai. O que move a minha felicidade deve ser o que revela a minha tristeza, pois o sentido do próprio desprezo só traz a felicidade no justo enaltecimento, encontrado em Deus. Mas, de alguma forma a perfeição divina pode, um pouco, se revelar em nós. E, neste ponto, é que a virtude aristotélica revela a sua melhor visão, quando se baseia na imutabilidade dessas perfeições, pois o devir do homem em plenitude se encontra na divindade.

          Mesmo assim, não se resolve sua debilidade, porque o maior dos santos ainda pode ser o maior canalha, como também o maior canalha o maior dos santos. Desta forma a falibilidade só mostra razão na figura paterna do filho pródigo, porque o sentido do contínuo pecado só pode ser encontrado na eterna ternura do acolhimento. A constante rebeldia possui razão na eterna misericórdia, que deve ser buscada constantemente. Se o mal rebaixa e o homem cai, que o bem o eleve e o homem suba, na consciência do seu estado e na sinceridade de amar o seu benfeitor.

          É o homem a sua condição e Deus o seu consolo, porque não há maior tristeza do que se perder pela negação de qualquer dessas qualidades. Se Deus não existe, o homem não peca. Se não há pecado, a dor é ilusão. Se o homem não sofre, vãos são os sentimentos. Se o homem não sente, tolo é nosso amor. E assim, uma só é a nossa preocupação: ver em Deus o nosso devir, para que Ele seja em nós como um espelho em constante reparo.



Escrito por Bernardo Veiga às 20h24
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A rebeldia oculta

A vida parece mais agradável, quando são poucas as preocupações. O mundo do autista, às vezes, pode se mostrar mais feliz, porque ele não tem a necessidade de se ocupar de nada, afora o que para ele parecer melhor. Mas a sua ignorância limita a sua alegria, porque, tal como é preciso conhecer a riqueza para desfrutá-la, a felicidade precisa ser conhecida para ser valorizada. Se o autista não consegue alcançar uma total felicidade, muito menos o homem que recebe do mundo o seu governo, porque serão infinitas as suas preocupações, como a opinião das pessoas, as mudanças da natureza e do acaso. Se por escassez somos ignorantes, por excesso ficaremos desnorteados.

          E, mesmo a afirmação clássica do in medio virtus provoca uma reação do indivíduo, às vezes, até negativa. Quando se afirma que se deve agradecer as honras devidas da maneira devida, se revela tênue a divisória entre o mérito e o demérito. Se a virtude está no meio, devemos odiar os dois extremos: o apreço demasiado pela imagem e o desprezo total de si mesmo. No primeiro, aprendemos que os outros estão errados, no segundo, que nós mesmos. Ficaremos sempre tristes, porque as outras opiniões nunca são as mesmas, ou porque a nossa sempre permanece. Então, somos forçados a acreditar nos nossos esforços e na nossa honra, de maneira equilibrada, justa e digna.

          Mas, qual homem é perfeitamente justo? Porque a ética do filósofo grego, embora de sagacidade insuperável, às vezes, esquece da própria debilidade humana. O antigo homem perfeito, não se mostra tão perfeito na realidade, pois o devir pode, porventura, falhar. O homem que deseja a maior das perfeições é o mesmo que cai nos maiores vícios. O virtuoso, por conhecer a sua virtude, pode no excesso se alegrar por ela, e fazer da perfeição de ser bom um caminho inseguro para o vício, sem conhecer propriamente o limiar do bem e do mal. O que fazer, então? O virtuoso pode cair por uma espécie de excesso de virtude que, segundo Chesterton, passaria para a “autoconfiança absoluta que não seria só um pecado, mas uma fraqueza.” Por outro lado a defesa dos extremos leva também às outras formas de tristeza. Naturalmente o ser humano é encurralado para uma tensão que o próprio tolera, ignora ou despreza.



Escrito por Bernardo Veiga às 20h20
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Início

Oi, meu nome é Bernardo Veiga de Oliveira Alves.

Sou estudante de Jornalismo da UFRJ. Neste semestre estou no 4º período.

Pretendo usar esse blog para divulgar alguns artigos meus.

Obrigado pela atenção.



Escrito por Bernardo Veiga às 20h13
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